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sexta-feira, fevereiro 16, 2007

A lua


Hoje resolvi falar da Lua, ou melhor, ontem a Lua resolveu falar comigo e, hoje eu resolvi contar os segredos que ela me contou. Eu também não acreditaria no que acabei de escrever se nao tivesse sido eu a escrever. E provavelmente não teria ouvido a Lua se não estivesse calado e, por tanto não sei como vos dizer que falei com ela, se eu ao falar não a ouviria. Sim! Quando estamos preocupados em falar, os ouvidos só nos dão ouvidos a nós. O que não é de estranhar, já que os ouvidos são nossos.É nisto que a escrita ganha pontos, se a Lua me tivesse escrito uma carta provavelmente seria mais fácil de a perceber e, seria mais fácil provar a minha inocencia. Ouvimos melhor as palavras que nos são escritas. Pelo o menos ouvimo-las sempre que quisermos.Mas a Lua não se deu ao trabalho de me escrever uma carta. Alias, nem me acredito que a Lua saiba escrever. Mas ate ontem também não me acreditava que ela falava.Não vou contar palavra por palavra o que ela me disse. Mas vou vos explicar o porque da minha preocupação.Se alguem optar por se distanciar, por se manter a observar, por andar as voltas e voltas sem resolver nada. Se alguem preferir apagar a luz e viver da luz dos outros. Se alguem decidir criar um mundo so dele, para mais ninguem chegar. Que direito têm os outros de invadirem esse mundo? Que direito têm os outros de tentar estar cada vez mais perto? Que direito têm os outros de lhe tentar descubrir os segredos?Largem a Lua! Deixem-a em paz! Ela só quer sofrer sozinha as magoas de todos os sentimentos. Ela só quer viver sozinha! Ela só quer não cair na asneira de se apaixonar pelo Sol, outra vez. Ela só quer viver pacificamente, pois sabe que amando loucamente nunca vai ter paz nem calmia. Ela prefere ver a vida a passar num mundo distante e saber que podia ser assim com ela também. Ela prefere não arriscar! E quem somos nos para a julgarmos? Já todos desistimos... Já todos morremos. A lua ao menos continua viva e, mesmo sem viver mantem vivos os sentimentos que nós matamos. Porque, infelizmente, não sabemos guardar os sentimentos. Somos de extremos. Ou os vivemos ou os matamos. A lua sabe guarda-los e, para não os matar, afasta-se com eles. Deixem a Lua em paz! Ela só esta a tentar preservar aquilo que matamos em cada beijo.

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