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quarta-feira, abril 25, 2007

Despedida


Peço, em primeiro lugar, desculpas por partir sem avisar, e temo que esta seja uma ida sem volta. Encontrava-me em estado deplorável, e provavelmente, nem aqueles que conviviam comigo poderiam dizer isso, pois minha aparência era impecável. Mas somente eu sabia o que passava no meu interior... A minha vida já não é a mesma, na verdade, continua a ser a mesma, é isso que me fez reflectir e rever todos os meus valores. Nada mudou, toda a minha rotina se manteve a mesma durante anos, e isso em particular incomodava-me. No meio de toda essa mesmice, deparei-me com as perguntas. E foram essas que me abriram os olhos. Percebi que nunca tinha feito nenhum questionamento antes, e conseqüentemente, perdi muitas formas de aproveitar a vida (como nem todos sabem, as perguntas que questionam a vida fazem com que ela tenha sentido). Mas acho que demorei tanto para perguntá-las, que não havia mais lógica nelas. Foi então, quando uma outra pergunta maior me surgiu “Onde vou encontrar as respostas?”. Meus caros amigos, sigam o meu conselho, nunca se perguntem isso. Foi essa infeliz questão que me levou a loucura. Mas hoje não sei mais se já era louco antes, mas isso é irrelevante. Tudo o que me lembro são trevas entre esse meu período de insanidade mental. E foi um período longo e doloroso, coisa que não recomendo nem ao meu pior inimigo. Sinto em dizer, que a luz me veio depois desta carta. Para ser mais exato, vou vê-la quando estiver com meu canivete sobre meus pulsos. Ah sim, peço desculpas pelas letras borradas. Foram escritas com o meu sangue. Achei que isso daria um tom dramático á minha morte, afinal, sei que esta será notada por poucos, e afetará a vida de menos ainda. Agradeço por toda a atenção de kem le, que tiveram a paciência de ler uma carta de um suicida, encontrada ao lado do seu corpo nu. Perdoe-me pelo horror e provável enjôo que te fiz passar ao ter que retirar a carta de entre minhas pernas... mas tudo isso faz parte do meu “grand finalle” desta noite, como gosto de chamá-la, minha noite. Por ti cometi uma loucura e um dia compreenderas ou nao. Grato pela atenção.

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